sábado, agosto 7

"é como se estivessemos em
cada                       lado
de um vidro.
eu posso te ver, falar com você.
nós podemos nos conhecer, nos tornarmos bem próximos, eu acho.
mas no final tudo isso é relativo;
tem um vidro lá.
é como uma divisão constante que, não importa quão proximos estamos
sempre há aquela
s e p a r a ç ã o.
também não importa se o vidro é fino.
um centímetro,
uma milha,
nós não podemos atravessá-lo
é meio confuso, na verdade. e ainda assim é nossa normalidade.
isso é tudo que nós já tivemos.
é como se tivessemos criado uma realidade distorcida
mas de algum modo a distorção parece irrelevante
porque é assim que as coisas são
                           sabe?
o vidro sempre esteve lá.
como essa coisa que nós lidamos.
mas em algum ponto você meio que tem que parar e pensar
o q u e nós estamos fazendo?"
Ludmila Andréia